16.05.08
O gênero narrativo
Gênero narrativo
A palavra ficção vem do latim fictionem (fingere, fictum), ato de modelar, criação, formação; ato ou efeito de fingir, inventar, simular; suposição; coisa imaginária, criação da imaginação. Literatura de ficção é aquela que contém uma história inventada ou fingida, fictícia, imagi-nada, resultado de uma invenção imaginativa, com ou sem intenção de enganar.
A ficção é um dos gêneros literários ou de imaginação criadora (ao lado dos gêneros dramático, lírico, ensa-ístico). A literatura de imaginação ou de criação é a interpretação da vida por um artista através da palavra. No caso da ficção (romance; conto, novela), e da epopéia, essa interpretação é expressa por uma história, que encor-pa a referida interpretão. É, portanto, literatura narrativa.
A essência da ficção é, pois, a narrativa. Ë a sua espinha dorsal, correspondendo ao velho instinto humano de contar e ouvir histórias, uma das mais rudimentares e populares formas de entretenimento. Mas nem todas as histórias são arte. Para que tenha o valor artístico, a ficção exige uma técnica de arranjo e apresentação, que comunicará à narrativa beleza de forma, estrutura e unidade de efeito. A ficção distingue-se da história e da biografia, por estas serem narrativas de fatos reais. A ficção é produto da imaginação criadora, embora, como toda a arte, suas raízes mergulhem na experiência humana. Mas o que a distingue das outras formas de narrativa é que ela é uma transfiguração ou transmutação da realidade. Ela coloca a massa da experiência humana dentro de um molde, seleciona, omite, arruma os dados da experiência de modo a fazer surgir um plano, que se apresenta como uma entida-de, com vida própria, com um sentido intrínseco, diferen-te da realidade. A ficção não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas antes criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. Ë o espetáculo da vida por meio do olhar interpretativo do artista, a interpretação artística da realidade.”’
• Elementos da narrativa
O mundo da ficção desenvolve-se ao redor dos seguintes elementos estruturais:
1.Personagem
É a pessoa (de persona) que atua na narrativa. Pode ser principal ou secundária, típica ou caricatural.
2.Enredo
É a narrativa propriamente dita, que pode ser linear ou retrospectiva, cuja trama mantém o interesse do leitor, que espera por um desfecho. Chama-se também simples-mente de ação.
3. Ambiente
É o meio físico e social onde se desenvolve a ação das personagens. Trata-se do pano de fundo ou do cenário da história, também designado de paisagem.
4.Tempo
É o elemento fortemente ligado ao enredo numa seqüência linear ou retrospectiva, ao passado, presente e futuro, com seus recuos e avanços. Pode ser cronológico ou psicológico. Cronológico, quando avança no sentido do relógio; psicológico, quando é medido pela repercussão emocional, estética e psicológica nas personagens.
5.Ponto de vista
Tecnicamente, podemos dizer. que se refere às diferentes maneiras de narrar. Geralmente, se resumem em duas:
a) narrador-onisciente: autor conta a história como observador que sabe tudo. Usa a 3ª pessoa.
b) narrador-personagem: autor conta, encarnando-se numa personagem, principal ou secundáría. Usa a lª pessoa.
6. Discurso
É o procedimento do narrador ao reproduzir as falas ou o pensamento das personagens. Há três tipos de discurso:
a) direto: neste caso, o narrador, após introduzir as personagens, faz com que elas reproduzam a fala e o pensamento por si mesmas, de modo direto, utilizando o diálogo. Exemplo:
Baiano velho perguntou para o rapaz:
—O jornal não dá nada sobre a sucessão presidencial
b) indireto: neste tipo de discurso, não há diálogo; o narrador não põe as personagens a falar e a pensar diretamente, mas ele faz-se o intérprete delas, transmitindo o que disseram ou pensaram, sem reproduzir o discurso que elas teriam empregado. Exemplo:
Baiano velho perguntou para o rapaz se o jornal não tinha dado nada sobre a sucessão presidencial.
c) indireto livre: consiste na fusão entre narrador e personagem, isto é, a fala da personagem insere-se no discurso do narrador, sem o emprego dos verbos de elocução (como dizer, afirmar, perguntar, responder, pedir e exclamar). Exemplo:
Agora (Fabiano) queria entender-se com Sinhá Vitória a respeito da educação dos pequenos. E eles estavam perguntadores, insuportáveis.
Fabiano dava-se bem com a ignorância. Tinha o direito de saber?
Tinha? Não tinha.
7. Linguagem e estilo
É a vestimenta com que o autor reveste seu discurso, nas falas, nas descrições, nas narrações, nos diálogos, nas dissertações ou nos monólogos.
• Espécies narrativas
Nem sempre é possível classificar um determinado texto ou obra dentro de uma determinada modalidade narrativa. Didaticamente, podemos caracterizar o romance, a nove-la, o conto, a crônica e a epopéia.
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criado por ana.paula.conrado
11:51:07